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Temer, o espião

Temer, o espião

 

Julian Assange, criador do WikiLeaks - Créditos: Reprodução

Julian Assange, criador do WikiLeaks / Reprodução

Iniciativas do sistema de defesa brasileiro foram comprometidas com o golpe

Em recente entrevista ao jornalista Fernando Moraes, o “cyber ativista” australiano Julian Assange, criador do WikiLeaks e exilado desde 2012 na embaixada do Equador, em Londres, ao responder pergunta sobre relações do então vice-presidente Temer com os serviços de inteligência estrangeiros, esclarece informações dos contatos que o golpista manteve com serviços diplomáticos estadunidenses: “Nós publicamos várias mensagens sobre isso. Uma em particular é de janeiro de 2006, em que ele vai à embaixada americana. A mensagem é somente a respeito das informações fornecidas por Michel Temer, suas visões políticas e as estratégias do seu partido. Isso mostra um grau um pouco preocupante de conforto dele com a embaixada americana. O que ele terá como retorno? Ele está claramente dando informações internas à embaixada dos EUA por alguma razão. Provavelmente para pedir algum favor aos Estados Unidos, talvez para receber informações deles em retorno.”

A questão é muito grave, pois além de reforçar as denúncias sobre o envolvimento estadunidense no recente golpe, revela uma postura de verdadeira traição nacional.

Ameaça à “Amazônia Azul”

Recordemos que os EUA jamais ratificaram a Convenção das Nações Unidas sobre o “Direito do Mar”, consequentemente não reconhecem nossa soberania sobre a zona econômica exclusiva de 200 milhas marítimas, onde a exploração dos recursos naturais abrange as jazidas de pré-sal. Uma posição que mantém em permanente ameaça nosso conceito de “Amazônia Azul”, na qual o Brasil reivindica sua soberania sobre uma área do mar equivalente a 4,5 milhões de quilômetros quadrados, o que equivale à metade de seu território “seco”. Em 2004, durante o mandato de Lula, o governo brasileiro solicitou à Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas (CLPC) a ampliação da soberania nacional sobre uma faixa do mar de 950 mil quilômetros quadrados para além das 200 milhas e, desde abril de 2007, recebeu sinal verde da ONU para incorporar 75% dessa área (712 mil quilômetros quadrados, uma área que corresponde à soma dos territórios de São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná).

No entanto, em abril de 2008, o governo dos EUA anunciou o retorno das operações da Quarta Frota de sua Marinha, cuja área de operações abrange a “Amazônia Azul”. Uma ameaça objetiva, ainda que camuflada por várias declarações diplomáticas.

Lava Jato e o Submarino Nuclear

A operação Lava Jato acarretou a inviabilização da empreendimento entre a empresa Odebrecht e a empresa estatal Amazul, companhia de projetos da Marinha do Brasil. Elas trabalhavam no projeto de construção de um submarino nuclear, arma essencial para a defesa de nossa soberania naval.

Agora, o golpista Temer anuncia que retoma as negociações com os EUA para o uso do centro de lançamentos da base de Alcântara no Maranhão. Com isso também compromete o projeto do Satélite Espacial Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), outra iniciativa soberana de nossas Forças Armadas, e retoma o fantasma de uma base militar ianque em território brasileiro.

Em resumo: as duas principais iniciativas do sistema de defesa brasileiro foram comprometidas no processo político do atual golpe.

Não há como deixar de juntar as peças desse quebra-cabeças. Ao longo de nossa história, tivemos vários exemplos de posturas subalternas de nossos governantes, mas a acusação de crime de espionagem, extraída das revelações do WikiLeaks, é um fato inédito. Mais do que desmontar os grandes mecanismos indutores de desenvolvimento, como a Petrobras e o BNDES, o golpe revela em cada atitude a explícita traição à nossa Soberania Nacional.

*Ricardo Gebrim é da direção nacional da Consulta Popular.